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Talvez eu só precise ir

Por Renata Alves

Renata
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Publicado em 29 de julho de 2026 Atualizado em 29 de julho de 2026
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Acabo de assistir a um dos filmes mais bonitos da minha vida: As Vantagens de Ser Invisível.

Enquanto os créditos subiam, pensei: prazer, eu sou Charlie.

Há muito tempo carrego uma sensação difícil de explicar: a de nunca pertencer completamente.

Como se estivesse sempre esperando o momento em que finalmente seria escolhida, amada e reconhecida.

Esse momento nunca chega.

E essa ausência pesa.

Conviver com ela todos os dias não é simples.

Por mais que eu a nomeie, compreenda e elabore, ela sempre encontra um caminho para voltar.

Hoje é sábado. Estou sozinha em casa.

Não tenho amigos para ligar nem um encontro marcado.

Restamos eu, meus desejos mais profundos, meus sonhos e meus livros.

Então escrevo.

Escrever sempre foi a forma mais honesta que encontrei de organizar a bagunça que acontece dentro de mim.

Nem sempre resolve tudo, mas quase sempre clareia alguma coisa.

Amanhã, à tarde, haverá um encontro de carros antigos na cidade.

Quero ir.

Ao mesmo tempo, sinto medo.

Não dos carros. Não do evento. Tenho medo da possibilidade de passar despercebida.

Quero ser vista. Mas e se eu não for?

Estarei preparada para sentir, mais uma vez, a velha invisibilidade?

Não sei.

Ao mesmo tempo, percebo que pouca coisa muda quando faço sempre as mesmas escolhas.

Talvez seja justamente isso que precise mudar.

Talvez eu precise ir, mesmo com medo.

Fazer diferente para permitir que algo diferente aconteça.

Talvez eu apenas queira descobrir o que acontece quando deixo de controlar cada possibilidade e simplesmente apareço.

Que frio na barriga...

Talvez eu só precise ir.

O universo — ou Deus — cuida do resto.

Amanhã volto para contar.

Com ânimo na alma, Renata Alves

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