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A Minha Odisseia

Por Renata Alves

Renata
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Publicado em 26 de setembro de 2026• Atualizado em 26 de setembro de 2026
A Minha Odisseia

Antes de trazer um contexto a essa crônica e explicar o título, preciso resumidamente contar essa história grega.

Odisseu volta para casa depois de terminar a Guerra de Troia.

Mas não voltou de qualquer forma. Ele voltou disfarçado, testando e entendendo o cenário que havia deixado para trás por dez anos.

O que é interessante para mim que vocês saibam, leitores invisíveis, é que ele deixou Penélope, sua adorável e amada esposa.

É esse o ponto que vamos desenvolver aqui.

Penélope, depois da partida de seu marido, promete que irá esperá-lo, seja o tempo que for.

Os dias e os anos vão passando e ela, por algumas vezes, devido às opiniões que vêm de pessoas próximas, precisa permanecer firme à decisão que havia lhe dito na despedida.

Então, ela cria uma estratégia: promete escolher um pretendente quando terminar de tecer uma mortalha, mas desfaz à noite o que teceu durante o dia.

É agora que vamos raciocinar.

Perceba que talvez, só talvez, em vários campos da nossa vida, criamos subterfúgios para permanecer em relações que não nos agradam mais, em empregos que não nos fazem crescer, em situações que já não fazem sentido.

São tantas possibilidades que deixarei vocês encontrarem as de vocês.

A minha, hoje, é saber que, por anos, eu fui a Penélope que esperava um milagre em uma vida automática.

E, graças à decisão do meu filho, eu me permiti fazer a minha Odisseia.

Estudar Filosofia, estar aberta a um novo amor, me autodesenvolver, melhorar minhas relações e, acima de tudo, me conhecer mais. Acessar partes ainda não acessadas.

Comecei a caminhar.

Descobri que talvez a minha Odisseia nunca tenha sido sobre esperar alguém voltar para casa.

Era sobre descobrir o caminho de volta para mim.

Sim, às vezes algumas pessoas e situações são a minha mortalha. Mas hoje eu já não as desfaço à noite para recomeçar a esperar no dia seguinte.

Eu escolho não tecê-las.

Porque eu não estou mais esperando o meu Odisseu.

Eu estou vivendo a minha Odisseia.

E talvez seja isso que a vida tenha tentado me ensinar o tempo inteiro:

a vida nunca será fácil, mas eu sei que vale a pena.

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